sexta-feira, 4 de junho de 2010

Patenteando a vida: uma discussão pertinente.






Folha de S.Paulo ("Ciência cria primeira célula sintética")
O Globo("Criada vida artificial")






A grande notícia.














Criação ou evolução?
A discussão sobre o surgimento da vida na terra sugere dois grandes eixos contraditórios o criacionismo e o evolucionismo o primeiro com bases em escritos da bíblia (relatos) e segundo defendido pela ciência sugere que a evolução da vida no planeta se dá a parti de organismos primitivos unicelulares apoiando-se em evidencias cosmológica, geológica, arqueológicas e antropológicas.

A notícia em detalhes:
. Craig Venter, cientista-empresário que participou do mapeamento do genoma humano e é bastante criticado por cientistas no mundo todo por conta de suas experiências maravilhosas com interesse comercial, anunciou ontem sua mais recente descoberta, com impactos profundos em todas as áreas e, como de costume, bagunçou tudo e gerou muito barulhoA equipe de Venter conseguiu injetar em uma célula, o código genético manipulado de uma outra, gerando pela primeira vez uma célula “artificial”. Entre aspas porque o material celular destino não foi criado sinteticamente, apenas seu genoma, mas tá valendo.
A célula manipulada aceitou o material genético e cumpriu sua função, se duplicando até bilhões de unidades, com diferenças quase nulas da célula original.
(Célula sintética é criada. Sexta-feira, 21 de maio de 2010 - 13:31. Disponível em: Acesso em 03 de junho 2010).

Veja esse vídeo do projeto genoma: http://www.youtube.com/watch?v=Bu6rbC2cnTM&feature=player_embedded


Quais as implicações dessa nova descoberta na sociedade?

Quanto será o custo dessa nova vida descoberta em laboratório para a sociedade mundo a fora, e na prática que benefícios ela nos trará? Venter imagina que já em 2011 tenhamos vacinas de gripe feitas de células sintéticas.
Prevê-se também a criação, entre outras aplicações, de bactérias programadas para resolver problemas ambientais e energéticos; p. ex., que produzam combustíveis ou que sequestrem gás carbônico do ar. Pois a ciência ao mesmo tempo em que é brilhante e dinâmica pode também ser ingênua um bom exemplo e o projeto de criação da bomba atômica pelo então presidente americano Roosevelt, pensando em apenas conter o nazismo de Hitler, mas todos sabem que não foi isso o que aconteceu. Os efeitos nocivos dessa descoberta e seus supostos benéficos só o tempo nos dirá.

Quanto custará essa nova descoberta?

A verdade a que o cientista empresário Craig Venter já fala em patentear a descoberta, a justificativa e que esse organismo pode cair em mãos erradas e assim seu uso indiscriminado poderá promover uma guerra biológica que poderá ser muita mais devastadora que a guerra nuclear.



Veja o que diz: O britânico John Sulston, Prêmio Nobel de Medicina adverte sobre perigo de patentear a vida sintética:

Londres, 25 mai (EFE).- O britânico John Sulston, Prêmio Nobel de Medicina 2002, advertiu hoje do perigo de patentear a vida sintética o que, na sua opinião, outorgaria o monopólio da engenharia genética a Craig Venter, o criador da primeira célula artificial.

Durante um debate hoje na Royal Society de Londres, no qual se questionou a conveniência de patentear as descobertas científicas, Sulston defendeu que as patentes impediriam os especialistas de fazer importantes investigações a partir da descoberta de Venter.

O debate girou em torno do relatório "Who Owns Science?" ('quem é dono da ciência? ', em tradução livre), elaborado pelo Institute of Science, Ethics And Innovation da Universidade de Manchester (norte da Inglaterra), presidido pelo cientista britânico.

Sulston e Venter já protagonizaram um conflito similar quando em 2000 ambos competiram para conseguir sequenciar o genoma humano.

Venter liderava os esforços do setor privado e defendia os direitos autorais da descoberta, enquanto Sulston, que realizava suas investigações com fundos governamentais e doações, pretendia que a sequenciação do genoma fosse acessível a toda a comunidade científica de forma gratuita.

O enfrentamento entre a iniciativa pública e a privada terminou há dez anos com a conclusão de que, "ao se tratar do genoma humano, os dados deviam ser de domínio público", explicou hoje Sulston.

Os dois cientistas voltam a se enfrentar agora sobre a conveniência de que a primeira forma de vida criada em laboratório, a célula apelidada de "Synthia", seja patenteada por seus criadores.

Segundo Sulston, da Universidade de Manchester, a patente seria "extremamente daninha", já que o texto apresentado para a proteção intelectual da descoberta "exige um preço exagerado pelo uso dos dados".

"Espero que estas patentes não sejam aceitas porque, caso contrário, colocariam a engenharia genética sob o controle do Instituto J. Craig Venter (JCVI). Eles teriam o monopólio de um amplo número de técnicas", explicou.

Perante esse argumento, um porta-voz do JCVI, com sede em Maryland (EUA), replicou que "há muitas companhias e laboratórios acadêmicos trabalhando em diferentes aspectos da genômica e da biologia sintética".

"Muitos deles - continuou - protegem sob patente algum aspecto de seu trabalho, por isso que nenhuma companhia nem centro acadêmico vai ter o monopólio de nada".

O porta-voz de Venter reiterou a ideia que o cientista americano já transmitiu em entrevista concedida este mês ao jornal britânico "The Independent", na qual defendeu a necessidade de uma maior regulação a respeito.

Segundo o relatório "Who Owns Science?", está ocorrendo um grande aumento do uso de patentes entre os pesquisadores.

Para Sulston, esta tendência estaria impedindo o desenvolvimento de pesquisas a partir das novas descobertas que poderiam redundar em benefício da saúde dos mais pobres.

"O problema piorou desde que eu o denunciei já faz dez anos", disse Sulston, para quem, embora seja comumente aceito que a propriedade intelectual das descobertas promove a inovação, "não há provas que isto seja assim".
(Nobel de Medicina adverte sobre perigo de patentear a vida sintética. 25/05/2010 - 16h16 do UOL Notícias. Disponível em:<> acesso em 03 de junho 2010).




Uma discussão pertinente.







A lei de patentes vem sendo alvo de proteste por parte de entidades ambientalistas em todo o mundo, pois patentear a vida tem sido uma pratica corriqueira das empresas do setor de biotecnologia e genética, entre muitos exemplos estão gênero alimentícios, agricultura, pecuarista assim como espécies naturais, fica evidente a intenção de controlar o futuro de toda cadeia alimentar do planeta. A comunidade acadêmica assim como toda a sociedade deve estar atenta para essa pratica das grandes corporações e iniciar um discurso em prol do uso mais democrático das descobertas de cunho científico para que não aja abuso dos limites éticos. A ciência é um agente que faz avançar as fronteiras éticas e morais. O tempo todo ela testa os valores da sociedade e estimula profundas discussões.

Sugestão de vídeos:
The Corporation (A Corporação)

http://www.youtube.com/watch?v=wi857UJn-mE&feature=relatede 1/15

Fernandes Vasconcelos, Antonio. Acadêmico do Curso Geografia da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
HTTP://www.ufsm.br/geografia



MONOCULTURA BRASILEIRA


O termo monocultura vem ocupando cada vez mais os espaços acadêmicos e os espaços de debate do conjunto da sociedade quando se trata de questões de ordem biológica e política. A palavra monocultura se remete a uma produção voltada unicamente para o cultivo de uma única espécie agrícola. Essa produção específica pode se dar das mais variadas formas, desde que abrigue apenas uma espécie de cultivo em uma determinada área. No Brasil é muito convencional a utilização de lavouras monocultoras de soja, trigo, cana-de-açúcar, café, laranja, arroz, entre outras.


No Brasil se encontra uma das maiores biodiversidades do mundo, contando com milhares de espécies vegetais e animais.
Entretanto, grande parte dessa riqueza ambiental necessita competir de forma intensa com os monocultivos agropecuários e silviculturais. As áreas monocultoras brasileiras tendem cada vez mais ampliar suas proporções, pois quanto menor a sua área, mais complexo é o seu desempenho produtivo. Logo, o que se tem, são extensos latifúndios produzindo apenas um só tipo de cultivo agrícola, transformando a região em uma imensa linha de produção biológica.


Em relação ao debate da sustentabilidade da monocultura, temos uma série de agravantes. No âmbito econômico, é propagandeado a cerca da grande importância que as produções baseadas no monocultivo agrícola têm. Pode-se citar a ampliação da contratação de mão-de-obra e o desenvolvimento econômico gerado por tais empreendimentos. O que acaba por acontecer é que o parco desenvolvimento gerado não é distribuído, apenas incorporado por uma pequena parcela empresarial. Conforme Veiga (2006), quando se fala em progresso, tende-se a igualar desenvolvimento e crescimento, porém, crescimento é condição indispensável para o desenvolvimento, mas não condição suficiente, isto é, o crescimento não conduz obrigatoriamente à igualdade nem à justiça social, pois não leva em conta nenhum outro aspecto da qualidade de vida.


Assista ao vídeo: Contra as Monoculturas de Árvores


video


"O meio ambiente oferece aos seres vivos as condições essenciais para a sua sobrevivência e evolução. A sociedade humana não se sustenta sem água potável, ar puro, solo fértil e sem um clima ameno. Não há economia sem um ambiente estável. Muitas pessoas, no entanto, ainda não compreenderam isso. Ao desenvolver suas atividades socioeconômicas, destroem de forma irracional as bases da sua própria sustentação. Não percebem que dependem de uma base ecológica para a sua vida e a de seus descendentes. Vivem como se fossem a última geração sobre a Terra." (MARQUES, 2007, P. 02).

Acadêmico: Carlos Alberto da Rosa Maciel

referências:
- http://centrodeestudosambientais.wordpress.com
- http://www.mst.org.br
- http://www.inga.org.br
- http://xinando-cartoon.blogspot.com
- Veiga, J. E. Desenvolvimento sustentável: O Desafio Do Século XXI. Rio De Janeiro: Garamond, 2006.
- MARQUES, Romel. A importância do Meio Ambiente
Disponível em http://www.zone.com.br/destinoaventura/index.php?destino_comum=noticia_mostra&id_noticias=12190, acessado em 10/06/2007.

O conceito de paisagem e as paisagens distintas

Por Leandro Jesus Maciel de Menezes

O geógrafo Milton Santos foi um, dentre muitos autores, que colaborou para a definição conceitual de paisagem. SANTOS (1988) entende a paisagem como o conjunto das coisas que se dão diretamente aos nossos sentidos. Sendo que as formas podem, durante muito tempo, permanecer as mesmas, mas como a sociedade está sempre em movimento, a mesma paisagem, a mesma configuração territorial nos oferecem, no transcurso histórico, espaços diferentes.
Compreendo que se, consigamos no nível da percepção entender o significado de uma paisagem, que muitas vezes não se revela na sua aparência, não podemos fazê-lo sem unir a compreensão teórica do que é o processo histórico de transformação da sociedade com o que consigo visualizar de imediato. Isso porque, o real muitas vezes envolve um processo de transformação, movimento, contradição, que nos remete a uma dada situação. Nas determinações de Santos (1988) toda situação é, do ponto de vista estático, um resultado, e do ponto de vista dinâmico, um processo. Numa situação em movimento, os atores não têm o mesmo ritmo, movem-se segundo ritmos diversos. Portanto, se tomarmos apenas um momento, perdemos a noção do todo em movimento.
Podemos dizer, em síntese, que esta sociedade sempre em movimento, organiza o espaço constantemente conforme um conjunto de interesses, que numa sociedade de classes, muitas vezes são conflitantes. Essa compreensão é fundamental para distinguirmos a organização e a função de duas paisagens organizadas sob perspectivas distintas no espaço rural brasileiro: a paisagem do agronegócio e a paisagem da propriedade familiar. Entende-se como função da paisagem: a produção de alimentos, lazer, habitat, água (reservatório), conforto térmico, oxigênio, entre outras. Contudo, pretende-se enfatizar a produção de alimentos como uma das principais funções de uma paisagem.
A (figura 1) expressa à paisagem produzida pelo agronegócio. Nessa paisagem há predominância de uma composição uniforme e geométrica da monocultura, onde há existência de poucas pessoas. Sobretudo, porque esse espaço é organizado para a produção de mercadorias.


Figura 1 : Paisagem do Agronegócio

Figura 1 : Paisagem do Agronegócio

Em contrapartida, a paisagem da agricultura familiar (figura 2) é composta por uma diversidade dos elementos. É caracterizada pela grande presença de pessoas que nesse e desse espaço constroem suas vidas produzindo alimentos, criando animais, buscando através da diversidade produtiva a sua sobrevivência.

Figura 2: Paisagem de Agricultura Familiar

Figura 2: Paisagem de Agricultura Familiar
Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/turismo/default.php?p_secao=270






A questão que devemos nos perguntar é porque a organização e função dessas paisagens são distintas. Em primeiro lugar, ao meu modo de ver, as duas paisagens não revelam a sua essência na sua aparência. A paisagem da propriedade familiar (Figura 3) não revela para quem não conhece a sua dinâmica, que há saberes sendo construindo naquele espaço e que são transmitidos de descendente à descendente. Não revela que muitas vezes sua organização e as suas funções (de produção de alimentos, por exemplo) ocorrem na maioria das vezes respeitando o tempo da natureza. Nesse espaço-tempo o grupo familiar não somente acumula experiências, mas também inova, através do conhecimento na sua relação com a natureza.

Agricultura Familiar


Figura 3 : Mulheres cultivam Horta Organica. Assentamento Caraibas-Quixeramobim-Ceara.
Fonte: Portal MDA

Já, na paisagem do agronegócio o que fica implícito em sua imagem de produtividade e de geração de riquezas para o país, é a construção de uma ideologia que tenta mudar a imagem da agricultura capitalista praticada nos médios e grandes latifúndios (Figura 4). Além disso, essa paisagem nos faz entender que no campo todos os setores são tidos como modernos, sentenciando que o desenvolvimento da agricultura está atrelado a um processo linear e homogêneo ocultando as diferenças sociais, culturais e econômicas existentes neste espaço.
Agronegócio


Figura 4: A visão do Agronegócio
Fonte: http://infologis.blogspot.com/2010_03_05_archive.html

Através do agronegócio o latifúndio de um espaço improdutivo transformou-se em um espaço de intensa produtividade (Figura 5). Por isso, um olhar sobre a paisagem do agronegócio nos mostra a exuberância que representa um espaço produtivo por excelência, mas, oculta o caráter concentrador, expropriatório e excludente antes característico do latifúndio.



Figura 5: Agronegócio e vasta produção
Fonte: http://www.trigo.com.br/

Contudo, o mais importante é a lógica capitalista mantida por esse modelo de desenvolvimento: concentração e exploração. O geógrafo Bernardo Mançano Fernandes, que estuda o espaço rural brasileiro sob a ótica das contradições do desenvolvimento do capitalismo no campo, não considera que agronegócio seja um novo modelo de desenvolvimento, pois para ele, sua origem esta no sistema plantation, em que as grandes propriedades são utilizadas na produção para exportação. Também, considera-o como um novo tipo de latifúndio, só que ainda mais amplo, pois agora não concentra e domina apenas a terra, mas também a tecnologia de produção e as políticas de desenvolvimento.

Os capangas do Agronegócio

Figura 5: Os capangas do Agronegócio
Fonte: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1435

Não completamente, pois, compreendo que o agronegócio é apenas uma das diferentes formas assumidas pelo capital para realizar sua reprodução ampliada. Muitas outras existem, como referência a agricultura familiar que está subordinada ao capital, desde os insumos e maquinários até o tipo de bens e produtos produzidos, via sistemas integrados entre o produtor e a corporação transnacional, que como exemplo, no estado do Rio Grande do Sul podemos citar os produtores de fumo. Portanto, não é por acaso, que as lutas das populações do campo em sua grande maioria em nosso país, expressam concretamente um caráter anticapitalista.

Assim, devemos em primeiro lugar, entender o sentido e a dimensão que assumem tais lutas, para isso é preciso mobilizar recursos teóricos, ao invés de desdenhá-las. Compreender o que significa a organização de uma paisagem que tenha como função principal oportunizar uma vida digna para uma família.

O fato, porém, hoje, é que essa concentração de poder cria o poder de concentrar. É por isso que cada vez mais o agronegócio se territorializa e desterritorializa a agricultura familiar. Isso promove o empobrecimento dos pequenos agricultores e seu encontro com o desemprego estrutural. Partindo desse pressuposto, à medida que o agronegócio, controlado principalmente pelas corporações transnacionais se expande e organiza sua paisagem para produção de mercadorias, estaria reorganizando completamente a paisagem no espaço rural brasileiro?

Não completamente, pois, compreendo que o agronegócio é apenas uma das diferentes formas assumidas pelo capital para realizar sua reprodução ampliada. Muitas outras existem, como referência a agricultura familiar que está subordinada ao capital, desde os insumos e maquinários até o tipo de bens e produtos produzidos, via sistemas integrados entre o produtor e a corporação transnacional, que como exemplo, no estado do Rio Grande do Sul podemos citar os produtores de fumo. Portanto, não é por acaso, que as lutas das populações do campo em sua grande maioria em nosso país, expressam concretamente um caráter anticapitalista.


Assim, devemos em primeiro lugar, entender o sentido e a dimensão que assumem tais lutas, para isso é preciso mobilizar recursos teóricos, ao invés de desdenhá-las. Compreender o que significa a organização de uma paisagem que tenha como função principal oportunizar uma vida digna para uma família.


SANTOS, M. Metamorfose do espaço habitado. São Paulo: Hucitec,1988.

PROJETO FRANKEINSTEIN


No final do mês de maio deste ano, o cientista Craig Venter, que integrou o Projeto do Genoma Humano, anunciou os resultados de sua mais recente pesquisa com células. O grupo de cientistas, liderados por Venter, criou uma célula sintética, a partir de um DNA produzido de forma artificial.
O código genético sintético foi implantado em uma célula natural e passou a controlá-la, fazendo com que ela adquirisse as características definidas pelo novo genoma. E o mais impressionante é que ela se reproduz. “Se dermos os nutrientes corretos, este organismo pode se replicar sem qualquer intervenção” conta Craig Venter em entrevista ao jornal britânico "Independent".



Embora os cientistas do projeto considerem que a vida foi criada em laboratório, alguns são mais cautelosos, dizendo que ainda é cedo para esta afirmação. Porém, é inegável que a pesquisa representa um enorme avanço no campo da biotecnologia.
De acordo com o site do “Jornal da Ciência” o próximo passo dos cientistas envolvidos na pesquisa é “entender a natureza básica da vida, quais são os conjuntos de genes mínimos necessários para ela”.
Os especialistas esperam que a técnica possa contribuir para o avanço na geração de vacinas, produção de biocombustíveis ou criar microorganismos capazes de descontaminar águas poluídas, digerindo manchas de petróleo no mar, por exemplo. "Isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça" disse o cientista.
Assim, não podemos deixar de pensar que isso acarretará consequências diretas e indiretas para a humanidade. Pois há o problema da disseminação de vida artificial no ambiente sem se saber o impacto, da mesma maneira que temos com espécies exóticas. A diretora do Instituto Internacional de Bioética, Jennifer Miller, também alertou sobre possíveis conseqüências como, por exemplo, a célula sintética pode se transformar numa arma biológica. Outra preocupação significativa vem de um autor anônimo que postou na internet “Vejo como maior perigo a criação dessas bactérias mutantes que tenham como objetivo consumir algo, como um vazamento de petróleo, por exemplo. Se houver descontrole, essa bactéria pode se reproduzir indefinidamente e começar a atacar produtos a base de petróleo, tais como os óleos minerais, plásticos, estruturas, etc. Não encontrando isto para consumir, tal como a maioria dos seres na natureza se adaptam às condições de seu meio, esta bactéria poderia passar a consumir qualquer outra coisa que não tenha a ver com hidrocarbonetos do petróleo... ou pode servir para extermínio de grupos étnicos...”.
Talvez seja este mais um passo para a modificação de características no DNA humano. Não podemos esquecer que Venter estava envolvido no mapeamento do genoma humano. Afinal, a humanidade nunca se fatisfez em ser um mero produto da natureza e temos muitos exemplos na história do desejo de interferir nos atributos humanos.


Por: Marciele Simon Carpes
Site visitados:

cienciahoje.uol.com.br
www.globo.com/jornalnacional (de 21 de maio de 2010)
www.jornaldaciencia.org.br (de 21 de maio de 2010)
medicinaemrevista.blogspot.com (de 21 de maio de 2010)

AS DIFERENTES ABORDAGENS DE ESTUDO EM BIOGEOGRAFIA


Basicamente, a Biogeografia estuda a distribuição dos seres vivos através dos condicionantes ambientais que são assumidos devido à localização de uma determinada área. Porém, esta ciência não deve se abster em discutir qualquer assunto que possa afetar a natureza e a sociedade. Ainda que muitas vezes seja confundida com outra ciência por ter uma abordagem multidisciplinar.
Em geral, quando se fala em Biogeografia, logo se pensa na distribuição dos biomas terrestres. Isso porque este tema é o único tratado, no sentido biogeográfico, nos livros didáticos e é abordado pelos professores na escola. Mas, a Biogeografia estuda qualquer tema relacionado à vida e sua repercussão no espaço e na sociedade, nas diferentes escalas espaciais e temporais.
Para tanto, são utilizados diferente tipos de abordagens citadas abaixo:
Abordagem Corológica – Centra-se nas transformações ocorridas de uma determinada área ao longo do tempo. O estudo é realizado com o método taxonômico, que se preocupa em identificar e classificar as espécies.
Abordagem Biocenológica – Esta abordagem é relativa ao estudo de determinada comunidade de espécies de um lugar. Utiliza-se do método fisionômico para entender a estrutura de uma comunidade e as conseqüências que sofreram em função das condições ambientais passadas ou presentes.
Abordagem Ecológica – Pretende atingir a compreensão das relações que os seres vivos estabelecem com os outros elementos da paisagem. Nesta, emprega-se o método ecológico para identificar e quantificar os fluxos de matéria e energia em um ecossistema, a fim de explicar a existência de uma espécie em um determinado local.
Abordagem Geossistêmica – Representa o estudo das variações na paisagem resultante do processo histórico. Este método que exige uma visão integrada dos condicionantes naturais. Portanto, para utilizá-lo é necessário um conhecimento das influências que sofrem devido a fatores como relevo, clima, água, solo, biosfera e o homem.




Marciele Simon Carpes


Sites visitados:

ivairr.sites.uol.com.br
www.eregeo.agbjatai.org/anais/textos/105.pdf
www.geografia.fflch.usp.br
www.ub.es/geocrit/


Vavilov : E a domesticação das plantas

As plantas cultivadas originaram-se a partir de ancestrais selvagens em locais

hoje conhecidos como "centros de origem" ou "centros de diversidade", que são áreas geográficas específicas e mais ou menos restritas.O conceito dos centros de origem foi proposto pela primeira vez pelo cientista russo Nikolai Vavilov (1887-1943).



Uma de suas missões era coletar germoplasma vegetal relacionados para uso em melhoramento de plantas nacionais projectos. Durante suas explorações, Vavilov observou que a diversidade das culturas e entendeu que a sua concentração era em torno de regiões específicas.Ele propôs que essas concentrações de alta variabilidade indicando as regiões onde a domesticação dessas culturas começou. Este conceito foi contra a opinião dominante de que o cultivo de plantas começou aleatoriamente em todo o mundo.A Grande vantagem de Vavilov é que ele conseguiu se utilizar das teoria da evolução de Darwin, e os conhecimentoscientíficosacumulados ate o final do século XIX, e o enorme saber que ele acumulou durante asmais de 100 expedições cientificas que ele realizou, pelo Irã , Estados Unidos , URSS , América Central e do Sul , Bacia Mediterrânica e Afeganistão e Etiópia.

Vavilov ao referir-se aos centros de origem das plantas cultivadas descreveu que esses ocorriam principalmente nas regiões montanhosas entre o Trópico de Capricórnio (23 ° 28 'sul) do equador e cerca de 45 ° N do equador no Velho Mundo. Na faixa de domesticação do Novo Mundo ocorreu entre os dois trópicos (Câncer e Capricórnio), aproximadamente. Em todos os casos origens agrícolas e diversidade primitiva ocorreu em regiões complexas e de alta montanha. Em 1924 Vavilov escreveu: "A história e a origem das civilizações humanas e a agricultura são, sem dúvida, muito mais do que qualquer documentação antiga, sob a forma de objetos, inscrições e baixos-relevos nos revela. Um conhecimento mais intimo das plantas cultivadas e suas diferenciações em grupos geográficos ajudam-nos a atribuir a sua origem remota a épocas muito, onde a 5.000 a 10.000,mas representam um momento curto”. Em 1926, Vavilov publicado suas teorias em seus "Estudos sobre a Origem das Plantas Cultivadas". Ele identificou oito áreas de diversidade e origem das plantas cultivadas. Essas áreas passaram a ser conhecidos como os Centros de Vavilov da diversidade ou, simplesmente, Vavilov Centers. A seguir, estão os oito centros e algumas das culturas para as quais eles são centros de origem / diversidade:



1- O Centro Chinês

No Centro Chinês foram reconhecidas 138 espécies distintas, das quais, provavelmente, as mais importante foram::

Cereais e Legumes: painço, Koaliang, trigo mourisco, cevada, soja, feijão Adzuki, mucuna.
Raízes, tubérculos e produtos hortícolas: ex chinês inhame, rabanete, repolho chinês, cebola, pepino.
Frutas e nozes: por exemplo, pêra, maçã chinesa, pêssego, damasco, cereja, noz, lichia
Açúcar, Drogas e Fibras Vegetais: cana-de-açúcar, papolas, ginseng cânfora, cânhamo.

repolho chinês

Cânfora

Mucuna

2. O Centro de índio

Inclui todo o subcontinente-originalmente baseado no arroz, painço e legumes, com um total de 117 espécies.

Legumes: arroz, grão de bico, feijão-guandu, mung feijão, arroz de feijão, feijão caupi.
Legumes e Tubérculos: berinjela, pepino, rabanete, taro, inhame.
Frutas: manga, laranja, tangerina, cidra, tamarindo.
Açúcar, óleo e Plantas fibrosas: cana-de-açúcar, coqueiro, sésamo, cártamo, algodão árvore, orientais algodão, juta, crotalária, kenaf.
Especiarias, Estimulantes, corantes, e Variados: maconha, pimenta preta, goma arábica, sândalo, índigo, canela árvore, Croton, bambu.


Arroz

Rabanete

Grão de bico


2a. O Centro Indo-Malaia

Este centro de origem inclui a Indonésia, Filipinas, etc - com as culturas de raiz(Dioscoreaspp., Tacca, etc preponderante), também com fruticultura, cana de açúcar, especiarias, etc, cerca de 55 espécies.

Cereais e legumes :mucuna
Frutos: pomelo, banana, breadfruit, mangostão
Óleo, Açúcar, tempero e Fibra Plantas: coqueiro, cana, cravo-da-índia, noz-moscada, pimenta preta, cânhamo de Manila.
Breadfruit
Coqueiro

Nós Moscada

3-Asiático central

Tajiquistão, Uzbequistão, etc - com trigo, centeio e muitas leguminosas herbáceas, bem como as culturas semeadas raiz-semente e os frutos, cerca de 42 espécies.

Cereais e Legumes: trigo mole, ervilha, lentilha, feijão cavalo, grão de bico, feijão mung,mostarda, linho, gergelim
Fibras Vegetais: Maconha, algodão
Vegetais: cebola, alho, espinafre, cenoura
Frutos: pistacio, pêra, amêndoa, uva, maçã
Trigo mole

Maconha

Gergelim


4-. Oriente próximo

Incluindo a Transcaucásia, o Irã e Turcomenistão - com trigos mais, centeio, aveia, sementes e leguminosas forrageiras, frutas, etc, cerca de 83 espécies.

Cereais e Legumes: trigo mole, trigo duro, trigo oriental, persa trigo, duas linhas de cevada, centeio, aveia, lentilha, tremoço.
Plantas Forrageiras: alfafa, trevo-persa, fenacho, ervilhaca, ervilha.
Frutos: figo, romã, maçã, pêra, marmelo, cereja.


Trigo
Cereja
Cevada

5-O Centro Mediterrâneo

De importância mais limitada do que os outros para o leste, mas incluindo trigo, cevada, forrageiras, hortaliças e frutas, sobretudo, especiarias e plantas oleaginosas etéreo, cerca de 84 espécies.

Cereais e Legumes: trigo duro, emmer, trigo polonês, espelta, aveia Mediterrâneo, aveia areia, ervilha, tremoço.
Plantas Forrageiras: trevo, trevo branco, trevo carmesim, serradela.
Oléos e Fibras Vegetais: linho, colza, mostarda preta, azeite.
Vegetais: beterraba, repolho, nabo, alface, aspargo, aipo, chicória, cherivia, ruibarbo.
Outras Plantas: alcaravia, anis, tomilho, hortelã, sálvia, lúpulo.

Chervirila

Hortelã

6-A Abissínio

Atual Etiópia , Centro de menor importância, principalmente um refúgio das culturas de outras regiões, especialmente trigo e cevada, grãos local, especiarias, etc, cerca de 38 espécies

Cereais e Legumes: trigo duro, trigo, emmer, polonês trigo, cevada, sorgo, linho.

Diversos: gergelim, mamona, agrião jardim, café, quiabo, mirra, índigo.


Café



Mamona

Sorgo

7- O Sul mexicano e América Central

O principal produto domesticado nesta área foi o milho fonte de alimento para grande partedapopulação mundial nos dias de hoje e utilizado também para , Phaseolus e espécies de cucurbitáceas, com especiarias, frutas e fibras vegetais, cerca de 49 espécies.

Cereais e Legumes: milho, feijão, grão amaranto.
Cucurbitáceas: abóbora de malabar, abobrinha inverno, chuchu.
Fibras Vegetais: algodão e sisal.
Diversos: batata-doce, araruta, pimenta, mamão, goiaba, caju, cereja selvagem preta, chochenial, tomate cereja, cacau.

Batata doce

Algodão
Milho verde

8-a. América do Sul, região Andina

Bolívia, Peru, Equador importante para a batata, outros tubérculos, culturas de grãos dos Andes, legumes, especiarias e frutas, assim como as drogas (cocaína, quinino, tabaco, etc), cerca de 45 espécies.

Batata
Quinino

8-b. O centro do Chile

Apenas quatro espécies - fora da área principal de domesticação de culturas, e um dessesSolarium tuberosum , derivado do centro andino, em qualquer caso. Pelo pequeno Numero deespécies domesticada nesta área alguns dizem que esta área dificilmente poderia ser classificado como um dos oito centros de origens.

Morango

Batata

8-C Centro Brasileiro-Paraguaia

De novo fora dos grandes centros, com apenas 13 espécies, apesar de mandioca Manihot () eArachis (amendoim) são de grande importância, outros, como abacaxi, seringueira, cacau Theobromaprovavelmente foram domesticados muito mais tarde. mandioca, amendoim, seringueira, abacaxi, castanha do pará, caju.


Amendoim

Abacaxi