quinta-feira, 3 de junho de 2010

TEORIA DA BIOGEOGRAFIA DE ILHAS

As ilhas, porções de terra menos extensas que os continentes e cercadas de águas por todos os lados, servem de palco para o espetáculo de intensas especiações por deriva genética. Em uma ilha pode ser encontrado um complexo de ecossistemas de pequena extensão espacial com número de códigos genéticos restrito, pois as trocas genéticas e ocorrência de colonização são potencialmente reduzidas. Esse isolamento favorece o processo de especiação.

A biogeografia de ilhas constitui-se em um ramo da ciência biogeográfica repleta de fortes emoções. Muitas das formas de vida mais espalhafatosas do mundo ocorrem em ilhas. Encontram-se nelas gigantes, anões, exímios artistas da permutação e não-conformistas de todo tipo. Essas criaturas improváveis habitam as zonas mais isoladas e remotas do planeta e conferem uma definição biológica vivida a palavra exótico (QUAMMEN, 2008).

Tal fato sempre despertou a atenção dos biogeógrafos, pois conforme Quammen (2008, p.19) a biogeografia de ilhas é, pois, um catálogo de excentricidades e superlativos. E é por isso que as ilhas, sempre desempenharam um papel central no estudo da evolução. O próprio Charles Darwin foi um biogeógrafo de ilhas antes de se tornar darwinista”.

Na década de 60, o ecólogo canadense Robert Helmer MacArthur e o biólogo norte-americano Edward Osborne Wilson propuseram a Teoria da Biogeografia de Ilhas ou Teoria do Equilíbrio Biogeográfico Insular.Essa teoria baseava-se em alguns pressupostos:

Comunidades insulares são mais pobres em espécies do que as comunidades continentais.

A riqueza de espécies aumenta com o tamanho da ilha. Nesse sentido, MacArthur; Wilson (2001, p.8) enfatizam que “there exists within a given region of a relatively uniform climate an orderly relation between the size of a sample area and the number of species found in that area”.

Gráfico 1: Relação entre número de espécies de anfíbios e répteis e área das ilhas.Fonte:MacArthur; Wilson, 2001.

Esta riqueza diminui com o aumento do isolamento da ilha, pois a probabilidade de uma espécie chegar a uma determinada ilha é inversamente proporcional à distância entre a ilha e o continente.



Fonte: LEPaC, 2010.

A probabilidade de extinção de uma espécie varia em função do tamanho da ilha.

O número de espécies em uma ilha representa um equilibro entre a taxa de colonização e a taxa de extinção.


Fonte: LEPaC, 2010.

O equilibro no número de espécies depende da extensão territorial da ilha.



Fonte: LEPaC, 2010.

Então, conforme a Teoria do Equilíbrio Biogeográfico Insular, o número de espécies em uma ilha depende do equilíbrio entre as taxas de extinção e imigração, que são influenciadas pela distância da ilha ao continente.

Populações de pequena dimensão, como das ilhas são mais vulneráveis à extinção, conseqüência de competição ou de predação. À medida que o número de espécies aumenta por imigração, aumenta também a taxa de extinção, assim a raridade de cada espécie aumenta.


Referências

MACARTHUR, Robert Helmer; WILSON, Edward Osborne. The theory of island biogeography. 13. ed. New Jersey: Princeton University Press, 2001.

QUAMMEN, David. O canto do dodô: biogeografia de ilhas numa era de extinções. Tradução: Carlos Afonso Malferrari. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

http://bioinfo.esalq.usp.br/web/biogeografia

https://woc.uc.pt/zoologia/getFile.do?tipo=2&id=1487

http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt/files/publicacoes_Biogeografia.PDF

eco.ib.usp.br/lepac/eco_paisagem/5_biogeo_metapop.pdf


Acadêmica GABRIELA DAMBROS

2 comentários:

  1. Excelente postagem! Assunto bem pertinente, texto sintético e bem escrito e boa distribuição entre imagem e texto. Parabéns!

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