sexta-feira, 4 de junho de 2010

Introdução de Espécies Exóticas nos ecossistemas brasileiros e a conscientização desta problemática junto aos alunos do Ensino Fundamental

Desde que o homem começou a se deslocar de um ponto a outro do planeta, também passou a carregar consigo animais, plantas e microorganismos. Porém, demorou muito para que se percebesse que a espécie que está completamente adaptada a uma região pode simplesmente se tornar uma praga em outra.

No Brasil este fenômeno tem início com a chegada dos europeus no continente, no qual se da à introdução de várias espécies exóticas como as dos gados vacum e eqüino. Esta prática seguiu por vários séculos em nosso país, onde por muitas vezes espécies exóticas foram introduzidas em nossos ecossistemas com a finalidade de controlar pragas, como é o caso do pardal, ou por questões estéticas, no caso do pombo, ou até mesmo para pesquisas cientificas, como é o caso da abelha africana.

Para que tais problemas sejam amenizados e que se possa garantir um futuro em que erros semelhantes não venham a se repetir, torna-se necessário entre outros fatores uma educação ambiental que vise conscientizar os alunos do ensino fundamental acerca dos riscos e conseqüências da introdução de espécies exóticas em determinado ecossistema. Mas antes de trabalhar com as crianças e adolescentes do ensino fundamental com esta problemática, torna-se fundamental conceituar alguns termos como:

· Ecossistema: é o conjunto formado pelos meios biótico (seres vivos) e o abiótico (ar, água, luz).

· .Habitat: é o lugar (endereço) onde mora um ser vivo.

· Nicho ecológico: o conjunto das atividades e funções de uma determinada espécie no ecossistema em que ela vive.

· Organismo (indivíduo): cada ser vivo tomado isoladamente.

· Espécie: conjunto de indivíduos semelhantes que produzem descendentes férteis por cruzamento.

· Espécie Exótica: Toda espécie que se estabelece em território estranho de seu meio ambiente de origem.

· População: conjunto de organismos de uma mesma espécie que vive em uma determinada região, durante um determinado período de tempo.

· Biocenose (comunidade): conjunto de populações que vivem em uma determinada região e que se relacionam entre si.

· Equilíbrio ecológico: é uma situação em que um ecossistema se mantém relativamente estável, com seus componentes estabelecendo um contínuo relacionamento entre si.

· Desequilíbrio ecológico: é uma situação em que as condições bióticas e abióticas de um ambiente são alteradas, podendo provocar a extinção de algumas espécies de seres vivos e o aumento das populações de outras espécies ("boom").

· Cadeia alimentar: é a transferência de energia e matéria num ecossistema. Mantém os ecossistemas em equilíbrio, impedindo que o número de indivíduos de uma espécie aumente ou diminua a ponto de ameaçar a existência de outra, exceto a espécie humana (subespécie Homo sapiens sapiens).

Uma vez que o professor tenha esclarecido estes conceitos perante aos alunos, pode-se então começar a trabalhar sobre o problema da introdução de espécies exóticas nos ecossistemas brasileiros. Que tem como principais conseqüências a alteração dos ciclos ecológicos naturais, aumento na dificuldade da recuperação dos ecossistemas e promovem a eliminação de espécies nativas, constituindo-se, hoje, na segunda principal causa de perda de biodiversidade no mundo, perdendo apenas para as alterações do meio ambiente causadas pelo homem. Para trabalhar esta questão em sala de aula o professor pode utilizar alguns dos vários recursos didáticos disponíveis atualmente como projetor, multimídia, fotografias, mapas, imagens de satélites, entre outros.

Dentre as tantas espécies exóticas introduzidas nos ecossistemas brasileiros, o professor pode trabalhar com aquelas que são mais comuns para os alunos como, por exemplo, o pardal tão comum em muitas das cidades do país, mas que tem sua origem no Oriente Médio e se dispersou pela Europa e Ásia, chegando na América por volta de 1850. Sua chegada ao Brasil foi por volta de 1906 no Rio de Janeiro. Onde Antonio B. Ribeiro trouxe de Portugal cerca de 200 exemplares, com a intenção de ajudar Oswaldo Cruz na luta contra insetos transmissores de doenças.

Figura 1: Pardal (Passer domesticus).

Apesar dos benefícios que os pardais trazem no controle de pragas, estudos apontam que os prejuízos são maiores que os benefícios, pois estas aves consomem 55% de grãos cultiváveis. Sem falar dos impactos ecológicos, como no caso da concorrência ocorrida com a andorinha-azul-e-branca (Notiochelidon cyanoleuca) no qual o Pardal por vezes constrói o seu ninho sobre o da andorinha, que termina por desistir do espaço. Outros pássaros que ameaça são a corruíra (Troglodytes musculus) e o joão-de-barro (Furnarius rufus).


Figura 2: Abrangência do Pardal no Brasil.

Outra espécie exótica bem comum ao cotidiano dos alunos no qual o professor pode trabalhar é o Pombo (Columba livia) que é originário da Ásia Ocidental. Esta ave foi trazida para o Brasil no início do século XIX por ordem de Dom João VI com o objetivo de enfeitar as cidades, provavelmente tendo como inspiração a presença destas aves em cidades européias, como Veneza.

Figura 3: Pombo (Columba livia)
É considerado um grave problema ambiental, pois compete por alimento com as espécies nativas, danificam monumentos com suas fezes e pode transmitir doenças ao homem. Até recentemente 57 doenças eram catalogadas como transmitidas pelos pombos, tais como: histoplasmos, salmonella, criptococose, piolhos, ácaros e pulgas.
Dentre todas as espécies exóticas que pode-se trabalhar em sala de aula a Abelha Africana representa uma espécie importante, pois esta possui uma ferroada muito grave ou ate mesmo mortal, devido a este fator é uma espécie de extremo perigo a população e principalmente as crianças.

Figura 4: Abelha Africana


Esta espécie é originaria do continente africano, habitando da África do Sul até o Sul do Saara. Foi introduzida no Brasil na região de Rio Claro-SP em 1956 para pesquisas científicas e acabaram escapando do cativeiro, no cruzamento com as raças aqui existentes, produziu um híbrido que passou a ser chamado de abelha africanizada.
Como é uma abelha muito agressiva ela pode mesmo exterminar colônias de outras espécies de abelhas (como a abelha italiana outra espécie exótica introduzida no Brasil à muito tempo). O mapa da distribuição atual da abelha africana na América Latina foi baseado no registro das ferroadas mais graves. Atualmente desloca-se para Norte e já atingiu a parte Sul dos EUA. Deslocam-se a uma velocidade de 110 km/ano.



Figura 5: Mapa da distribuição atual da abelha africana na América Latina.

Frente a estes desafios cabe ressaltar o importante papel do professor deve desempenhar na sociedade atual. Este profissional tem o dever incluir no seu trabalho diário a questão ambiental, principalmente, no que tange este vital e complexo processo que é a introdução de espécies exóticas em determinado ecossistema. Este trabalho deve ser efetuado principalmente junto a crianças e adolescente do ensino fundamental, pois estes se encontram em um período de amadurecimento da consciência do seu papel no meio ambiente onde vive.

Referências:

http://www.ambiente.sp.gov.br/verNoticia.php?id=515

http://revistaescola.abril.com.br/ciencias/fundamentos/brasil-esta-fazendo-controlar-

http://www.apacame.org.br/saiba7.htm

http://student.dei.uc.pt/~njmendes/ctp/abelha_africana.htm

http://www.iesambi.org.br/apostilas2006/5aserie_un1e2.htm

http://eco.ib.usp.br/lepac/conservacao/ensino/conserva_exoticas.htm

http://eco.ib.usp.br/lepac/bie314/Especiesexoticas.pdf

http://www.cpap.embrapa.br/publicacoes/online/ADM075.pdf

http://www.lowndes.com.br/report/47/mater3.htm

http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/abelhas.htm

ACADÊMICA: Jaqueline da Silva

Um comentário:

  1. Parabéns Jaqueline! Assunto ótimo, texto bem escrito, figuras apropriadas, enfim... exatamente o que se poderia esperar encontrar em um blog de biogeografia.

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