sexta-feira, 4 de junho de 2010

BIOMA PAMPA GAÚCHO E ESPÉCIES ENDÊMICAS
























O pampa, privilégio dos gaúchos, uruguaios e argentinos, tão divulgados pelos centros de tradição gaúcha (CTGs), torna-se desconhecido quando se trata do seu ambiente natural. As paisagens naturais do bioma pampa gaúcho são variadas, compostas por serras, planícies, morros e coxilhas, esse bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. O pampa gaúcho abrange mais da metade do Rio Grande do Sul, com aproximadamente 178.243 Km², apresentando uma biodiversidade incrível.

Segundo levantamentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o bioma pampa apresenta cerca de 3 mil espécies de plantas, dessas espécies, 450 são gramíneas e mais de 150 são leguminosas, apresenta também 70 tipos de cactos, 385 espécies de aves e 90 espécies de mamíferos, enfatizando o bioma pampa como um dos mais ricos em relação à espécies de animais.
O bioma pampa apresenta também uma variedade de espécies endêmicas e em processo de extinção, as espécies endêmicas são espécies nativas, que estão presentes apenas naquele lugar, naquela área, ou seja, se uma espécie endêmica for extinta, ela desaparecerá definitivamente do planeta.

Dentre as espécies endêmicas do bioma pampa destacam-se 7 gêneros de cactos e bromeliáceas, dentre os mamíferos, 39% também são endêmicos, o mesmo ocorrendo com a maioria das borboletas, dos répteis, dos anfíbios e das aves nativas.


No bioma pampa também sobrevivem mais de 20 espécies de primatas, a maior parte delas endêmicas. Existem espécies de peixes endêmicos, dentre eles o Cará (endêmico da bacia do Ibirapuitã) e uma espécie de abelhas nativas sem ferrão. Alguns animais em extinção no pampa gaúcho são a jaguatirica, a onça pintada, o mico-leão-dourado, a preguiça de coleira, o tamanduá, o macaco prego, o gato dos pampas, o tuco-tuco, o jacu, a jacutinga, a araponga, vários sagüis, os tucanos, os tatus, os sanhaços, o macuco, numerosos beija-flores, a noivinha do rabo branco, a águia cinzenta, os ratos d’água, o lobo guará, a puma, a águia chilena, o veado palheiro, o cardeal amarelo, o sapinho-de-barriga-vermelha descrito no ano de 2004, a coral-verdadeira (Micrurus silviae) descrita no ano de 2007. Dentre estes estão presentes também algumas espécies endêmicas que estão em extinção.

O bioma pampa, desde sua colonização vinha sendo utilizado como pastagens naturais, posteriormente vem sendo muito degradado através da expansão agrícola, através da exploração inadequada dos recursos, através da ação das grandes empresas e multinacionais com “boas intenções” sociais e ecológicas, o que acarreta “a crise das espécies e dos biomas”, ocorre a perda dos ambientes naturais juntamente com a perda da biodiversidade com a extinção de espécies, principalmente de espécies endêmicas.

Apenas no ano de 2004 os pampas tiveram sua importância reconhecida, passando a ser chamado de bioma. O pampa gaúcho apesar de ser rico e diverso é o bioma menos protegido do Brasil, apresentando a menor representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), com somente 0,36% de seu território transformado em áreas de conservação.

Como foi recente a atuação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) MMA/Pronabio, CI, ISA, WWF e IBAMA no pampa gaúcho foram estabelecidas apenas duas unidades de conservação, a chamado Parque do Espinilho e a Reserva Biológica de Ibirapuitã.

É importante ressaltar alguns pontos interessantes que afetam as diversas espécies do bioma pampa, como as espécies endêmicas e as que estão entrando em extinção. Pontos estes que geram desequilíbrios ecológicos podendo causar total transformação do bioma.

A ameaça do bioma pampa vem da monocultura da pecuária, da monocultura de árvores exóticas (eucaliptos, pinus e acácias) e também da expansão da fronteira agrícola, monocultura de frutíferas, lavouras de batatas, cenouras e cebolas, características do uso intensivo de agrotóxicos, comprometendo a paisagem, a cultura, os mananciais hídricos e a biodiversidade do pampa gaúcho.


Outra ameaça as espécies do pampa, afirma o professor Paulo Brack da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é a biopirataria, onde plantas ornamentais como petúnias, verbenas, cactos, muitas espécies endêmicas do pampa gaúcho são levados para os EUA, Japão, Itália e Alemanha.

A biopirataria nos pampas ocorre também com as gramíneas forrageiras nativas, segundo o Carlos Nabinger, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), algumas espécies de gramínea, já foram levadas e patenteadas no exterior, e agora nós mesmos precisamos pagar royalts. Um exemplo disso é a grama forquilha (Paspalum sp.), que tem centro de origem aqui e é usada no exterior.

Com isso, podemos entender a fragilidade da biodiversidade do bioma pampa gaúcho, bem como os fatores que ameaçam essa beleza finita, além de retratar a realidade das espécies que estão desaparecendo, tanto espécies da fauna e flora em geral como as espécies endêmicas.



FONTES:

http://ciencia.hsw.uol.com.br/biomas2.htm
http://www.defesabiogaucha.org/terror/terror02.htm
http://www.ibama.gov.br/ecossistemas/campos_sulinos.htm
http://www.scribd.com/doc/20393220/Campos-Sulinos-Valerio-de-Patta-Pillar
http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/revista-ch-2005/221/silvia-a-nova-serpente-brasileira
www.azores.gov.pt/.../Espécies+Endémicas.htm
www.defesabiogaucha.org
www.unisinos.br/ihu


Regina Facco Stefanello

Um comentário:

  1. Regina,
    parabéns pela postagem! Extremamente pertinente o assunto e o texto está super bem escrito. Acho apenas que as figuras poderiam ser um pouco maiores, pois, especialmente aquelas duas que são montagens, não ajudam muito para ilustrar o que o texto está discutindo.

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